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Medo de movimento: por que o medo pode aumentar sua dor?

  • Foto do escritor: Luciana Fernando Davi
    Luciana Fernando Davi
  • 8 de abr. de 2024
  • 7 min de leitura

Atualizado: 17 de abr.

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"Quem tem medo do movimento?"

Hoje em dia, é sabido que movimento envolve mais vias cerebrais do que temos percepção.


Nosso cérebro tem milhares de conexões, mas nem todas essas chamam nossa atenção. Nele, existem grandes centros de união dessas conexões e, de acordo com o que acontece em nossa vida, eles se conectam várias vezes criando uma massificação, uma impressão que tem significância para que chame nossa atenção para elas - são os chamados conectomas.


O que é medo de movimento (cinesiofobia)?


O que significa ter medo de se movimentar?

O medo de movimento, também conhecido como cinesiofobia, é a sensação de receio ou insegurança ao realizar determinados movimentos, geralmente por acreditar que eles podem causar dor ou agravar uma lesão.

Esse medo não surge “do nada”. Ele costuma estar relacionado a experiências prévias de dor, informações recebidas ao longo da vida ou interpretações sobre o que está acontecendo no corpo.

Por exemplo, se uma pessoa sentiu dor ao se abaixar em algum momento, ela pode passar a evitar esse movimento com a ideia de que ele é perigoso mesmo que, na prática, o corpo seja capaz de realizá-lo com segurança.

Ou seja, o medo não está necessariamente ligado ao movimento em si, mas à interpretação de que aquele movimento pode ser uma ameaça.


Por que isso é comum em pessoas com dor?

Esse processo é natural e faz parte de um mecanismo de proteção do organismo. O problema acontece quando essa proteção se torna excessiva e começa a limitar movimentos, atividades e até mesmo a confiança no próprio corpo.

Com o tempo, a evitação pode reduzir a exposição a movimentos importantes, o que pode impactar a capacidade de adaptação do corpo e influenciar a forma como a dor é percebida.


Como crenças sobre dor influenciam o medo de movimento

O medo de movimento não está relacionado apenas à dor em si, mas também à forma como essa dor é interpretada.


Diante de uma experiência dolorosa, é comum que o corpo entre em um estado de alerta. No entanto, além da resposta física, existe também uma construção de significado: a pessoa passa a tentar entender o que aquela dor representa. Quando essa interpretação está associada a ideias de dano, fragilidade ou risco, o movimento pode começar a ser evitado como uma forma de proteção.


Sendo assim, não é apenas o que a pessoa sente, mas o que ela acredita sobre o que está sentindo que influencia seu comportamento.


O que são crenças relacionadas à dor?

Crenças relacionadas à dor são as ideias, interpretações e significados que a pessoa constrói sobre o seu corpo e sobre a própria dor.


Elas funcionam como uma lente através da qual a experiência é interpretada. Por exemplo, duas pessoas podem sentir algo semelhante, mas reagirem de formas completamente diferentes dependendo do que acreditam sobre aquilo.


Quando a dor é entendida como um sinal de algo grave ou perigoso, é mais provável que haja medo, insegurança e evitação de movimento. Por outro lado, quando há uma compreensão mais ampla e contextualizada, a tendência é que a resposta seja mais flexível.


Como essas crenças se formam?

As crenças sobre dor não surgem de forma isolada. Elas são construídas ao longo do tempo, a partir de diferentes experiências e influências.


Entre os principais fatores estão:

  • episódios prévios de dor

  • orientações recebidas de profissionais de saúde

  • informações compartilhadas por familiares ou amigos

  • conteúdos consumidos (internet, redes sociais, etc.)

  • cultura e linguagem relacionada ao corpo


Frases como “minha coluna é fraca”, “não posso fazer isso porque vai piorar” ou “esse movimento desgasta” são exemplos de ideias que podem ser incorporadas ao longo do tempo.


Essas crenças, mesmo quando bem-intencionadas, podem reforçar o medo e limitar o comportamento, impactando diretamente a forma como a pessoa se movimenta e lida com a dor.


Pra quem gosta de termos técnicos da ciência:


A relação dos conectomas com o medo do movimento.

Quanto mais você "acende" esses conectomas, mais eles ficam impressos em nosso cérebro, que por sua vez, mais vai tê-los acesos sempre que alguma coisa acontecer em uma dessas vias que tenha relação.

Normalmente: medo do movimento, "tive uma lesão no pé e alguém falou que foi o tênis", "alguém falou que eu não posso mais correr na rua porque machuca"," não posso mais agachar por causa do joelho", etc. Todas essas questões vão tendo importância, pois é intrínseco ao ser humano querer dar significado para as coisas, inclusive para a dor.


Serviço de saúde.

Quem explica pra a gente da onde vem a dor? Os serviços de saúde, seja ele qual for - eu estou prestado um serviço à saúde nesse momento, por exemplo. A questão está em que, a nossa cultura é muito relacionada a irmos em serviços de emergência, não em ambulatório fazer uma consulta preventiva, e raramente, a pessoa da emergência é especialista na dor que você está sentindo. O que normalmente acontece nesses casos é que o profissional oriente as seguintes situações: "faça repouso", "toma o remédio X", etc.

É aí que se cria uma potencial conexão - dos conectomas.


Medo de movimento pode piorar a dor?

Sim, o medo de movimento pode influenciar a experiência de dor, especialmente quando leva à evitação constante de atividades. Embora a intenção inicial seja proteger o corpo, evitar movimento de forma prolongada pode reduzir a capacidade de adaptação e aumentar a sensibilidade a estímulos.


Aquilo que começa como proteção pode, com o tempo, contribuir para a manutenção do desconforto.


Evitar movimento pode aumentar a sensibilidade

Quando o corpo é pouco exposto a movimento, ele pode se tornar mais sensível a estímulos que antes eram bem tolerados.


Isso acontece porque a falta de variação e de carga reduz a capacidade do organismo de se adaptar às demandas do dia a dia.


Com o tempo, movimentos simples podem passar a gerar desconforto, não necessariamente por dano, mas por menor tolerância.


O ciclo entre dor, medo e evitação

A dor pode gerar medo, o medo leva à evitação de movimento, e essa evitação pode contribuir para mais dor, formando um ciclo. Esse processo nem sempre é percebido de forma consciente, mas pode influenciar diretamente o comportamento e a recuperação.


Romper esse ciclo envolve compreender a dor de forma mais ampla e retomar o movimento de maneira gradual e segura.


Por que evitar movimento nem sempre protege o corpo?


Evitar movimento pode parecer uma estratégia lógica diante da dor, mas nem sempre é a mais eficaz a longo prazo.


O corpo precisa de estímulo para manter sua capacidade de adaptação. Quando esse estímulo é reduzido de forma excessiva, pode haver perda de função e aumento da sensibilidade. Proteção é importante, mas precisa ser proporcional e temporária.


Diferença entre proteção e evitação

A proteção é uma resposta natural do corpo diante de uma ameaça real ou percebida. Ela costuma ser útil no curto prazo. Já a evitação acontece quando o comportamento de evitar movimento se mantém mesmo quando não há mais necessidade de proteção intensa.

Enquanto a proteção ajuda na recuperação, a evitação prolongada pode limitar o processo.


Quando o corpo precisa de exposição gradual

Para recuperar a confiança e a capacidade de movimento, o corpo precisa ser exposto novamente às atividades de forma progressiva.


Como o medo de movimento afeta sua recuperação?


O medo de movimento pode impactar diretamente a forma como a pessoa se relaciona com o próprio corpo e com suas atividades diárias. Quando o movimento passa a ser evitado, há uma redução da participação em tarefas importantes, o que pode interferir tanto na função quanto na qualidade de vida.


A exposição gradual permite que o organismo se adapte, reduzindo o medo e aumentando a tolerância. Não se trata de forçar o movimento, mas de reintroduzi-lo com critério e consistência.


Impacto na função e no dia a dia

Atividades simples, como caminhar, se abaixar ou permanecer em determinadas posições, podem começar a ser evitadas.

Com o tempo, isso pode gerar limitações funcionais, dificultando a realização de tarefas cotidianas. O corpo deixa de ser utilizado em sua capacidade total, o que pode contribuir para perda de condicionamento e autonomia.


Redução da confiança no corpo

Além do impacto físico, o medo também afeta a percepção que a pessoa tem sobre o próprio corpo.

A insegurança em se movimentar pode levar à ideia de fragilidade, mesmo quando o corpo é capaz de realizar aquela atividade. Recuperar a confiança é parte fundamental do processo de reabilitação.


O que fazer para lidar com o medo de movimento?


Lidar com o medo de movimento não significa ignorar a dor, mas sim compreender melhor o que ela representa e como o corpo responde.


A partir disso, é possível adotar estratégias que favoreçam a retomada do movimento de forma segura e progressiva.


Como reverter uma conexão criada?

Tudo aquilo que julgamos como físico e estrutural como postura, ângulo do joelho, ou calçado inadequado - na verdade, sabemos que vai muito além. Trata-se muitas vezes de conexões centrais – cerebrais.

O movimento consegue reorganizar essa conexão ou criar uma outra via que tenha maior significância do que essa conexão prévia, ou seja, ele planta novos caminhos e impressões cerebrais, deixando aquele de dor, medo e crenças negativas, "apagado" e menos importante do que o novo caminho.


A importância da exposição gradual

A exposição gradual ao movimento permite que o corpo se readapte sem gerar sobrecarga excessiva. Começar com movimentos mais simples e evoluir progressivamente ajuda a reduzir o medo e aumentar a tolerância.


Pequenos avanços consistentes tendem a ser mais eficazes do que mudanças bruscas.


Reinterpretação da dor

Entender que a dor nem sempre está associada a dano é um passo importante para reduzir o medo. Quando a dor deixa de ser vista exclusivamente como ameaça, o movimento pode ser retomado com mais segurança. Isso não invalida a dor, mas amplia a forma de compreendê-la.


Movimento como parte da recuperação

O movimento não é apenas seguro na maioria dos casos, ele também faz parte do processo de recuperação. Através dele, o corpo é estimulado a se adaptar, recuperar função e aumentar sua capacidade de lidar com diferentes demandas. Evitar completamente o movimento raramente é a melhor estratégia.


Conclusão: entender a dor ajuda a reduzir o medo

O medo de movimento é uma resposta compreensível, especialmente em quem convive com dor.


No entanto, quando esse medo se torna limitante, ele pode interferir na recuperação e na qualidade de vida.

Ampliar a compreensão sobre a dor permite tomar decisões mais seguras e menos baseadas em ameaça.


Mais do que evitar o movimento, o caminho está em aprender a se movimentar com confiança, respeitando o corpo e suas possibilidades.


Para mais informações e matérias como esta, acesse: https://www.lucianafisioterapeuta.com.br/blog




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