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Não faça isso com seu abdômen: contrair o abdômen o tempo todo pode ser prejudicial


mulher sentada relaxando com o abdômen contraído
"Relaxando" com o abdômen contraído

Muitas pessoas acreditam que contrair o abdômen o tempo todo é uma boa maneira de melhorar a postura, fortalecer os músculos e até mesmo queimar mais calorias. No entanto, essa prática, embora pareça inofensiva à primeira vista, pode trazer sérias consequências para a saúde, principalmente a longo prazo.




De onde surgiu esse pensamento?


Na década de 1990, muito se falava no músculo Transverso do Abdômen. Diversas pesquisas foram feitas por ele ser o músculo mais profundo do nosso tronco e intimamente ligado à coluna, vísceras, órgãos, pelve e respiração. Foi nessa época que a ciência descobriu a importância dele na estabilidade da coluna. Este termo - estabilidade - foi e ainda é muito citado, mas infelizmente de formas equivocadas.


parte óssea do tórax, tronco e pelve com ênfase no músculo transverso do abdômen
Músculo transverso do abdômen em vermelho

As expectativas e curiosidades a respeito de suas funções e potenciais papéis eram grandes e por isso, pesquisado em diversas abordagens, por diferentes cientistas. O mais conhecido e grande precursor foi o cientista Paul Hodges.


A pesquisa de Paul Hodges

Em 2009, Paul conduziu um estudo sobre dor lombar com associação ao músculo transverso abdominal (citado acima). Ele observou que o grupo de pessoas que ele recrutou com sintomas de lombalgia, tinha um atraso na contração desde músculo. Ao passo que, em pessoas sem dor lombar, o músculo teria uma ativação antecipada de 3 a 5ms a qualquer movimento a seguir.


Por esse motivo, essa associação entre dor lombar e falta de contração em abdômen ficou tão disseminada no mundo científico e, principalmente, fora dele.


Para quem tiver interesse, segue abaixo a referência da pesquisa:



As atualizações

De 2009 para cá (2025), muitas questões foram abordadas, os estudos foram sendo mais criteriosos com métodos mais eficazes e conceitos esclarecidos. Inclusive, o próprio Paul Hodges questionou muitos elementos do estudo dele como o termo "estabilização do CORE".


Numa entrevista que ele deu à revista científica BJSM, Paul esclarece que "estabilização" não é segurar um movimento, não é privar o corpo de se mover, muito pelo contrário. Ele diz que:

...a última coisa que você quer é que alguém não mova sua coluna ou pelve.

Entrevista de Paul Hodges para a revista BJSM: Assista pelo YouTube


Paul e outros cientistas sabiam e reconheciam a necessidade de mais estudos e DESMISTIFICARAM que contrair o abdômen o tempo todo vai fazer com que sua coluna fique forte ou protegida.



Todos os abdominais

No corpo humano, não só o transverso, mas os outros músculos abdominais (oblíquos e reto), têm a função de estabilizar e movimentar a região do tronco e proteger órgãos internos. Porém, a ideia de manter a contração constante pode levar a desequilíbrios musculares e sobrecarga, causando desconfortos e até mesmo lesões. Como qualquer outro músculo, eles agem sob DEMANDA. Vamos entender melhor os riscos envolvidos:


  1. Tensão excessiva e rigidez postural:

    Quando a contração do abdômen se torna constante, o corpo tende a se manter em uma posição rígida, o que pode afetar a flexibilidade e a mobilidade. Isso aumenta a tensão em outras áreas, como as costas, e pode desencadear dores musculares e articulares, além de comprometer a postura natural.


  2. Dificuldade na respiração

    A contração contínua do abdômen impede que o diafragma se movimente livremente durante a respiração. Isso pode gerar uma respiração superficial e forçada, o que interfere na oxigenação adequada do corpo e no funcionamento ideal dos órgãos. Uma respiração mais profunda e controlada é fundamental para o bem-estar e a saúde geral.


  3. Descompensação muscular

    Os músculos abdominais são importantes, mas devem ser equilibrados com o fortalecimento de outros grupos musculares, como os das costas e do quadril. Ao focar apenas na contração constante do abdômen, você pode criar uma descompensação muscular, sobrecarregando certos músculos e enfraquecendo outros, o que pode levar a problemas de alinhamento corporal e aumentar o risco de lesões.


  4. Aumento da pressão intra-abdominal

    Quando o abdômen é contraído por períodos prolongados, pode ocorrer um aumento na pressão intra-abdominal. Isso coloca mais pressão na coluna vertebral e nos órgãos internos, o que pode resultar em problemas como hérnias, refluxo gastroesofágico e, em casos mais graves, até mesmo distúrbios nos músculos do assoalho pélvico.


  5. O impacto psicológico

    Além dos impactos físicos, essa obsessão em manter a contração abdominal constante pode também ter um efeito psicológico. A ideia de estar o tempo todo "segurando a barriga" pode aumentar a ansiedade, causar desconforto mental e até levar a uma relação negativa com a própria imagem corporal.



Como fortalecer o abdômen de forma segura e eficaz?


Ao invés de manter a contração abdominal o tempo inteiro, o ideal é focar em exercícios específicos para o fortalecimento da musculatura abdominal, mas de maneira equilibrada e controlada. Práticas como pilates, yoga e treino funcional são excelentes opções, pois além de trabalharem o fortalecimento da região abdominal, também promovem o equilíbrio muscular e a mobilidade do corpo.


É importante lembrar que a forma de execução e intervalo entre os músculos trabalhados são fundamentais em qualquer tipo de exercício. Ao invés de contrair o abdômen de forma voluntária e constante, procure manter uma postura neutra e relaxada, com o foco em ativar a musculatura no momento certo, como em exercícios dirigidos por um profissional.



Conclusão


Contrair o abdômen o tempo todo pode ser prejudicial à sua saúde, comprometendo a postura, a respiração e o equilíbrio muscular. A melhor forma de manter um corpo saudável é praticar exercícios que envolvam todos os grupos musculares de maneira equilibrada e focada no movimento correto. Sempre que possível, busque a orientação de um fisioterapeuta ou educador físico para garantir que suas práticas sejam seguras e eficazes.


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