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Escoliose: importância da detecção precoce, sintomas e tratamento

  • Foto do escritor: Luciana Fernando Davi
    Luciana Fernando Davi
  • 30 de nov. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de abr.

Fisioterapeuta calculando ângulos de raio-x de uma coluna com escoliose
Raio-X de uma coluna com escoliose e seus desvios

A escoliose é uma condição da coluna vertebral que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.


A escoliose muitas vezes começa de forma silenciosa. Sem dor. Sem limitação. Sem grandes sinais e é exatamente por isso que ela costuma ser descoberta tarde, quando a curvatura já evoluiu e o tratamento se torna mais complexo.

Talvez você já tenha percebido um ombro mais alto que o outro, uma assimetria no corpo, ou até uma leve “inclinação” na postura e ficou na dúvida se isso é normal… ou se deveria investigar.


Neste artigo, você vai entender como identificar a escoliose precocemente e por que isso pode mudar completamente o rumo do tratamento.


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 6 milhões de brasileiros convivem com essa condição, o que torna a conscientização e a prevenção fundamentais para minimizar seus impactos. Junho, conhecido como Junho Verde, é o mês dedicado à conscientização sobre a escoliose, sendo uma oportunidade de sensibilizar a população sobre sua detecção precoce e tratamentos disponíveis.



O que é escoliose e por que devemos estar atentos aos sinais?


A escoliose é uma deformidade da coluna que ocorre de forma tridimensional e torcional, podendo se desenvolver na infância e adolescência, principalmente em meninas, conforme relatado pela SOSSORT 2016. Ela pode ser classificada em diferentes tipos: idiopática (de causa desconhecida), congênita, neuromuscular e degenerativa. A escoliose idiopática é a mais comum, com possíveis causas relacionadas a fatores como alterações no sistema nervoso central, níveis hormonais e predisposições genéticas.


Essa condição não é apenas uma questão estética. Sem diagnóstico e tratamento adequados, pode levar a dores crônicas, comprometimento pulmonar, incapacidade funcional e até complicações psicossociais na vida adulta.


Como a escoliose evolui? Entenda a progressão e suas fases

A escoliose não é estática e sim, uma condição progressiva. Ela pode evoluir, principalmente em fases de crescimento rápido, como na adolescência. Quanto maior o potencial de crescimento, maior o risco de progressão. É justamente nesse momento que a detecção precoce faz diferença. Ela pode ser classificada de acordo com a idade de início:


  • Infantil (0 a 3 anos)

  • Juvenil (4 a 10 anos)

  • Adolescente (11 a 17 anos)

  • Adulta (> 18 anos)


Quanto à gravidade, a escoliose é medida em graus:

  • 0 a 10 graus: Atitude escoliótica (apenas acompanhamento)

  • 11 a 24 graus: Leve (tratamento com exercícios específicos)

  • 25 a 50 graus: Moderada (exercícios e uso de colete)

  • > 50 graus: Necessita de intervenção cirúrgica.



Por que a detecção precoce da escoliose é tão importante?


Fisioterapeuta avaliando escoliose em numa criança
Detecção precoce da escoliose

Identificar a escoliose cedo é essencial para prevenir sua progressão e evitar intervenções mais invasivas, como cirurgias. Infelizmente, muitas vezes ela não causa dor na infância ou adolescência, o que dificulta o diagnóstico. Por isso, a observação atenta dos pais, professores e profissionais de saúde é crucial.






Como identificar a escoliose? Principais sinais e sintomas

Alguns sinais podem indicar escoliose:

  • Um ombro mais alto que o outro

  • Escápula mais evidente de um lado

  • Assimetria no quadril

  • Inclinação do tronco

Um teste simples, como inclinar o tronco à frente, pode ajudar a perceber alterações.

Mas atenção: a avaliação profissional é essencial para confirmar.


Resumindo:

  1. Não esperar relatos de dor: A escoliose pode ser silenciosa, especialmente nos estágios iniciais.

  2. Observar a simetria corporal: Verifique a altura dos ombros, cintura, escápulas, costelas e pelve.

    Mulher com escoliose
    Avaliar alinhamento dos membros e regiões de desvios
  3. Realizar o Teste de Adams: Solicite que a pessoa faça uma flexão de tronco para frente e observe as alturas de cada lado das costas.

    Fisioterapeuta fazendo avaliação de uma escoliose com escoliômetro
    Teste de Adams com escoliômetro
  4. Buscar ajuda especializada: Entre em contato com um fisioterapeuta ou médico.

  5. Usar o escoliômetro: Esse equipamento permite avaliar o grau da curvatura sem a necessidade de exames radiológicos imediatos. Curvaturas entre 5 e 7 graus já exigem atenção profissional.



Tratamento para escoliose: quais são as opções disponíveis?


Fisioterapeuta orientando exercícios para paciente com escoliose
Exercícios fisioterapêuticos para escoliose

O tratamento da escoliose depende de fatores como idade, grau da curvatura e fase de crescimento.

Em muitos casos, quando identificado precocemente, é possível:

  • controlar a progressão

  • melhorar a função

  • evitar intervenções mais invasivas


A fisioterapia tem um papel fundamental nesse processo, com abordagens individualizadas e baseadas em avaliação detalhada.


O tratamento varia conforme sua gravidade:

  • Exercícios específicos: Indicados para casos leves e moderados, ajudam a fortalecer a musculatura e corrigir a postura.

  • Uso de colete: Auxilia no controle da progressão em curvaturas moderadas.

  • Cirurgia: Reservada para casos graves, com curvaturas acima de 50 graus.


O avanço nos métodos de tratamento, aliado à detecção precoce, tem se mostrado eficaz na redução da progressão da escoliose globalmente.



Conscientização sobre escoliose: o papel da informação na prevenção


O Junho Verde nos convida a refletir sobre a importância da prevenção e conscientização da escoliose. A melhor forma de proteger nossa população é começar com aqueles ao nosso redor, promovendo uma cultura de cuidado e atenção à saúde da coluna.


Seja um agente dessa conscientização: observe, informe-se e incentive o diagnóstico precoce. Juntos, podemos reduzir o impacto da escoliose na vida de milhões de pessoas.


O maior erro não é ter escoliose. É descobrir tarde.

Porque quanto antes você entende o que está acontecendo no seu corpo, mais opções você tem.

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